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Destaque Depoimentos Um transplantado na UTI
Um transplantado na UTI
Qua, 07 de Outubro de 2009 20:17

A UTI, ou Unidade de Tratamento Intensivo, é o local onde se permanece durante o período de estabilização logo após o transplante. É um período crítico e difícil, mas que é necessário para que o restabelecimento total seja mais tranqüilo. No meio de todos aqueles fios e "bips", o pós-operatório do transplante hepático fica sendo assistido por um batalhão de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas (todos com formação intensivista, ou seja, que estão acostumados com a urgência, a fase crítica e com grande responsabilidade). Neste período, o Sol e a Lua não vão ser distinguidos, nem tão pouco os dias e as horas serão sentidos, mas o cuidado será intenso. É necessário uma grande força de vontade para que o próximo período chegue o mais rápido possível. 

 

Um transplantado na UTI

  

O Sr. Pedro Giarolla, nos permitiu publicar suas fotos enquanto estava na UTI, além de nos dar o seguinte depoimento:


"Quando recebi o diagnóstico de Hepatite, pensei que o mundo fosse desabar em minha cabeça e que eu morreria depois de alguns dias: minha cabeca ficou fora de órbita e o meu emocional girava junto.Confesso que foi um susto muito grande, e com o conhecimento que eu tenho na área de saúde pareceu-me óbvio que pouca chance eu teria. Cada caso é um caso e comigo os sintomas não me molestavam tanto pois eu só me via com retenção de líquidos e me cansava com facilidade. Começaram então as confusões mentais e a falta de direção. Depois de passar por muitos exames e diferentes especialidades clínicas nos Estados Unidos, fui aconselhado pelo meu medico que para obter melhores tratamentos e cuidados eu deveria estar perto de minha família, pois ela me daria todo o suporte que eu iria precisar. Um dos fatos mais interessantes que o meu médico havia me dito era que ele estava me pedindo para vir ao Brasil para que eu entrasse na fila de espera de órgãos para um transplante de figado: nos Estados Unidos a espera por um doador poderia talvez me custar a vida, pois possivelmente eu não conseguiria fazer o transplante. Depois de chegar à UNICAMP e passar novamente por todos os exames, obtive a confirmação de que a lesão que eu carregava no fígado era realmente promovida por uma Hepatite. O interessante no meu caso era que meu fígado nunca me deu qualquer sinal de dor ou me apresentei com a característica cor amarelada como muitos que padecem do fígado. Este virus agiu tão silenciosamente que apenas por acaso um check-up de rotina mostrou que havia algo de errado em meu sangue. Isto foi o ponto de partida para a corrida para o transplante. Devo minha vida a esta maravilhosa Equipe Médica: a palavra OBRIGADO talvez não seja o bastante para expressar a gratidão que sinto por estar aqui continuando a viver. Somente Deus irá recompensá-los pela sabedoria que guiou as mãos de cada um dos médicos que fizeram o transplante que salvou minha vida. Foi somente quando o Dr.William me chamou no dia 22 de Março de 2001 e me perguntou como eu estava que eu realmente pensei que a ansiedade e a expectativa terminavam ali. A espera que durou quase 2 anos e meio foi terrível, juntamente com as sensações de depressão e angústia que me acompanharam por todo esse tempo. Ao acordar depois da cirurgia, quando comecei a escutar as primeiras vozes e os "bips" dos aparelhos dentro da UTI foi que me dei conta de que eu realmente estava ali com vida: ali eu realmente comecei a lutar com o meu lado emocianal para querer sair dali. Agradeci primeiro a Deus em oração e depois a todos aqueles que comigo ali estavam. Ser entubado é algo diferente: em outras palavras é o mesmo que estar com um dentista trabalhando permanentemente em sua boca e lhe permitindo somente se comunicar através de sinais. Mentiria se lhes dissesse que senti

dor, pois foi tudo tão normal: confesso que a maior das dores foi a de ansiedade pela espera do momento no qual eu siria da UTI. Confesso também que eu sou meio chorão (como diz o próprio Dr. William), mas a sensibilidade de cada ser depende do que ele realmente está sentindo e também da vontade de querer lutar por um objetivo: eu queria continuar vivendo e então eu tive que colaborar deixando de lado as coisas materiais conseguidas, tentando me conformar com a espera e ao mesmo tempo desfrutar os laços de amor com a minha família e amigos, esquecer de tudo e se concentrar somente na expectativa da saída da UTI. Eu achava que o transplante seria um verdadeiro bicho de sete cabeças, mas o Hospital das Clínicas da UNICAMP e sua fabulosa Equipe de Transplante mudaram totalmente minha opinião: saber do que eles são capazes e do que eles sabem é absolutamente gratificante: para aqueles que precisam passar por um transplante não é necessário pensar duas vezes antes de se entregarem em suas mãos. Agradeço também aos familiares daqueles que doam seus orgãos, pois se não fosse este gesto de solidariedade e colaboração para a continuidade de uma vida eu não estaria aqui contando esta minha experiência. A pior das coisas é ter que morrer em cima de uma cama dando trabalho a todos e sofrendo dores e humilhações por causa das circuntâncias que a vida nos coloca. Você que está na espera por um orgão, qualquer que seja ele, aproveite esta chance enquanto ela está ai. É só você querer, pois o resto é fácil: tudo depende apenas de sua colaboração." 


             
                                                         Sr. Pedro Giarolla

 

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